O peso da depressão

Foto by @entrelentes.fabi

A depressão pesa. Muito.

Tem dias que as pessoas me perguntam se estou com algum problema físico, porque é notável que me movo com dificuldade, mas apesar dos sintomas físicos, não há nada no meu corpo que me impeça de mover. É simplesmente um peso. Meus 54kg se transformam em algo que não posso carregar e nem explicar.

Melhor não tentar explicar, o mundo do trabalho não está preparado para receber essa informação. Algumas famílias não estão preparadas para receber essa informação. A modernidade tem essa mania de produzir exclusões para a falta de saúde mental. É algo que assusta, até mesmo um ser humano que é formado em RH e capacitado a lidar com gente.

A doença mental é recebida de forma totalmente diferente da doença física, exatamente por ser algo imprevisível, que não se pode provar com um exame de sangue. Pense nisso, é assustador.

Se alguém fala pra você que está se sentindo pesado, você responde o quê? Pergunta se a pessoa está se tratando, talvez… Se tiver intimidade, pode perguntar se a pessoa precisa de alguma ajuda.

Essa é a parte frustrante de viver com depressão, por que sim, você está se tratando, quem sabe há anos… Ajuda? Que tipo de ajuda poderia ser, você pensa…

Eu já não vivo com um quadro grave de depressão, meu tratamento ajudou bastante, hoje sou muito apta pra tudo, diria meu analista. Mas vivo com Distima desde criança. Ao longo da vida tive alguns anos terríveis, muitos atrasos de todos os tipos, mudanças tectônicas.

Eu penso em fazer Yoga, mesmo com o peso nas costas. Há fases que não dá pra correr, não dá pra ir na academia, enfim… O importante é nunca parar, vivo esses dias sabendo que nada dura, logo me sentirei melhor. Hoje estou pesada e vivendo um luto mal feito, na depressão você perde algo, mas não sabe o que é.

Penso em todas as coisas que me fazem felizes, em algo que eu gostaria de ler, revejo meus hábitos. Essa última é a mais importante. Quem vive com depressão, tem que estar sempre revendo seus hábitos: há algo hoje na minha vida e no meu dia a dia que eu possa mudar ou melhorar?

Dormindo demais? Dormindo de menos? Comendo bem? Bebendo água?

E algumas coisas mais sérias: as pessoas com quem estou convivendo me fazem bem? Gosto da minha casa? Gosto do meu trabalho?

Se há algo que esteja atrapalhando sua melhora, mude! Confia que ajuda, eu já mudei de casa, de cidade e de país. Me afastei de tanta gente, fui até o fim com tudo que eu quis fazer, celebrei todas as pequenas conquistas, não dei explicações. Se for inevitável e as pessoas ficarem perguntando por que você faz o que faz, diga apenas: Pra me sentir melhor. Seja fiel a você e vai funcionar.

Só quem conhece esse peso entenderia os sacrifícios que eu já fiz, pra conseguir trabalhar, pra conseguir ter hobbies e sair de casa, estudar etc.

 

Foto by @entrelentes.fabi

Sou muito boa no meu trabalho, juro! Falando de formação e habilidades, sou a pessoa certa para o Job. Mas perco muito por causa do que a depressão me rouba: força, atenção, foco. Tem dias que leio um e-mail 3x e ainda respondo com falhas, o pior, tenho muitos e-mails. Sempre digo que a depressão é despersonalizante, já que ela te rouba essas coisas que você se dedicou em construir, em casos muito graves, você não se reconhece mais.

Personalidade é um desafio, se você tem uma muito forte ela pode ajudar.

O peso de outras doenças também é dobrado, as vezes uma gripe te leva pro fundo do poço. Os profissionais dizem que os ansiosos são sensíveis, que sentem seus órgãos de forma muito mais lúcida, têm enjoos, fadigas, tonturas, tiques etc. Mas tenhamos em conta que não existe depressão sem ansiedade, pelo menos um pouco. Então, o estado físico, o funcionamento do seu corpo, pesa muito mais.

Enfim, a vida pesa o dobro, tudo é mais difícil e todos a sua volta te trazem dados e opiniões, de que na verdade não é tão difícil, de que você está exagerando, de que é culpa do seu jeito de ser. Se você fosse assim… Se você fosse… Mas você só pode ser você e só você sabe o que você pode enfrentar. Sua forma de sentir, é sua forma de sentir, como também uma pessoa com diabetes come um chocolate e sente algo diferente do que outra pessoa, que não tenha diabetes.

Fui a melhor aluna da classe até ela me pegar de jeito, aí nada mais funcionou bem. Me botaram em ginástica, bordado, jazz e até vôlei. Tudo ajuda, não descarte nada, aprendi isso na infância, identifique o que está funcionando e continue fazendo.

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