Niki Saint Phalle e sua arte feminista

Niki Saint Phalle começou a produzir arte feminista já nos anos 60. Nascida em 1930, filha de uma Americana da alta burguesia de Nova Iorque e pai banqueiro da aristocracia francesa. Ela viveu e estudou a maior parte do tempo em Nova Iorque.

Ainda jovem, com 18 anos, trabalhou como modelo e posou para capas de revista como a Vogue, a Elle e a Life. Aos 23 anos ela teve uma crise e foi internada, durante o processo de tratamento ela descobriu na arte um caminho para a cura.

Ela se incomodava muito com os limites que sua família lhe impunha por ela ser mulher, ela queria o mundo, mas o mundo pertencia aos homens.

Um dos primeiros trabalhos dela já é bem provocativo e vai de encontro à delicadeza esperada do feminino. Chama-se “Os tiros”, é realmente um processo catártico, consistia em saquinhos de tinta pendurados nas telas, os participantes deviam atirar nos saquinhos com uma espingarda e dessa forma a tinta caía na tela e ia se formando uma obra de arte.

Depois ela segue com um momento mais introspectivo, pensando o papel da mulher na sociedade, estereótipos como a noiva, a mãe, a puta e etc. Tem uma obra que é a noiva cadáver, construída em gesso que imita ossos. A noiva cadáver tem a mão no ventre, pois ela sabe que mal se casou e a sociedade já espera que ela tenha filhos. São várias versões de noivas que levavam o participante a meditar sobre aquele estereótipo.

A família de Niki a obrigou a se casar tradicionalmente vestida de branco e ela foi despejar na arte a sua revolta.

Em outra obra ela retrata mães e putas, uma mãe, por exemplo, tem os braços amputados e o sexo à mostra, o peito cheio de bonequinhos que simbolizam os filhos, o oposto dela são as “Nana Power” esculturas de mulheres livres, cheias de cores, com os corpos de todos o tamanhos, fora dos padrões. São exuberantes e representam o poder criador das mulheres.

Para uma exposição em Estocolmo ela criou uma escultura gigante de mulher, que tinha as pernas abertas e sua vagina era uma porta, por onde os participantes podiam entrar, dentro havia uma galeria com obras falsas, um planetário, um bar e etc. Para Niki essa “Nana” era como um templo, mas também a maior puta do mundo.

Nos anos ’90 Niki revela que foi abusada pelo pai aos 11 anos e então fica mais clara a densidade do seu trabalho e sua inspiração. Por exemplo, um trabalho chamado “A morte do patriarcado” de 1972, onde ela também atira nas telas com uma figura masculina que contém objetos de gesso e latas cheias de líquidos coloridos, que com os tiros vão vazando e formando a obra.

Enfim, eram performances de militância pelo fim do patriarcado, dos padrões e dos estereótipos dominadores.

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