Como escrever um livro – Parte 1 (Inspiração)

 

Como esse é o primeiro de muitos que se seguem, vamos começar com algumas instruções.

Modo se usar:

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  • Escrever não tem nada a ver com repetir clichês inventados pela cultura do escritor bêbado fumante.
  • Ler dicas pode top, mas você tem que encontrar seu jeito, seu caminho e sua voz.
  • Vou contar aqui experiência pessoal, não faço ideia se daria certo pra você ou para o seu estilo literário.
  • Não é sobre segredos, como dito em Finding Forester: O segredo de escrever é escrever.
  • Esse é tipo um diário do Romance pra mim, que muitos escritores mais experientes já fizeram.

Sempre quis escrever um romance, mas meus personagens morriam. A ideia vinha do nada e me perturbava por muitos dias, até eu decidir que ia escrever. Começava bem e, depois de um tempo ela esfriava e no trabalho duro do dia a dia, se perdia.

Fiquei muito decepcionada por tantas vezes ao ver minha história morrer e não ter continuidade. Nesse processo, entendi que a inspiração é muito importante, até porque considero esse bum da ideia inicial, algo que vem da inspiração. O que te inspira é o dia a dia do qual você se alimenta:

-Suas histórias;

-Sua vivência;

-Seus filmes, livros, música.

Você tem um gênio aí dentro, se você quer que ele escreva, pense no que você está dando de comer a ele. Temos que pensar também que se nossa vida sofrer alguma mudança drástica, a inspiração pode sofrer também nesse processo.

A inspiração é a história que você tem aí dentro e que pede para ser contada.

Quem escreve ficção acaba sempre escrevendo sobre si mesmo, às vezes não tão obviamente quanto o alter ego de Bukowski – Henry Chinaski – por exemplo, mas nossos personagens sempre terão muito de nós. Então é comum que, quando nos transformamos de alguma forma, certos personagens percam o sentido, às vezes esse personagem é o personagem principal.

Mas se o gênio está inspirado e você agora tem uma história, duas outras coisas são extremamente importantes no processo:

A primeira é a disciplina, sem disciplina não há história que chegue ao fim, não tem clichê nem tutorial que resolva, é sentar e escrever mesmo. Criar hábitos de escrita é mais fácil que criar inspiração 😉

E segunda seria que o fio vermelho da sua história – definição de Marcia Tiburi para o mote principal do Romance, assista aqui, o tema central –  que esse algo principal sobre o qual você fala, tenha uma força gigante.

Por exemplo, minha personagem principal atual, desse romance que estou escrevendo, me perturba gravemente, sonho com ela, converso com ela, parecendo louca. A história dela é muito forte, pude criar um universo só dela com muita facilidade, a playlist dela no Spotify, a pasta dela no Pinterest e consigo visualizar perfeitamente como ela é fisicamente, como foi quando era criança e etc.

E o que me dá confiança de que essa história vai chegar ao fim é que não sei tudo sobre ela, ela meio que não tem fim, ela é um ser humano e os seres humanos não conseguem se conhecer por completo, não sabem tudo sobre si mesmos, não têm tudo resolvido, – só pra deixar claro, não escrevo fantasia, então minha personagem é meramente humana – em resumo, ela é complexa e assim é um bom personagem, os chamados “redondos”.

Então é basicamente isso sobre inspiração, acho que não adianta se iludir achando que as histórias mais gigantes que achamos por aí foram feitas de inspiração todas as mil páginas… Escrever é muito mais sobre obsessão e uma obsessão das boas, você curte o processo por mais longo e solitário que ele seja, sempre obcecado pelos seus personagens, por chegar ao fim, mas sem querer que acabe.

Vou deixar aqui a sinopse do meu livro, a quem interessar possa… Ainda não tem título.

“Esmeralda é pedra, mas também é mulher. Ela escreve e-mails para sua ex-namorada Hellen, com quem não fala há 7 anos.

O marido acaba de deixá-la para ir  viver com outra, o mesmo homem por quem ela deixou Hellen, 7 anos atrás.

Esmeralda tenta se retratar em seus e-mails, obcecada com o carma que voltou pra ela. Uma mulher diante da ausência de outra, o conteúdo dos e-mails com questões comuns e polêmicas, mas que vai fundo também, em dois elementos em extinção na vida contemporânea: o íntimo e a solidão. E ainda, em uma palavra tão brasileira e tão presente: a saudade. Na formação do indivíduo, no tornar-se mulher!

A infância vivida no interior do Brasil, em uma terra violenta e sem coração, juventude no anonimato da maior capital do país, as relações entre mulheres fantásticas.”

Siga o blog e fique atento ao que tá vindo aí…

4 comentários em “Como escrever um livro – Parte 1 (Inspiração)

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  1. Ahh que legal, curti muito seu texto e dicas. Funciona para mim contos curtos, literalmente pequenos, no máximo quatro parágrafos… por que eu tenho uma dificuldade danada com essa “tal” disciplina rs
    É impressão ou na sua sinopse a gente pega uma coisa com o número 7? Fiquei curioso!!! E valeu por compartilhar! =)

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    1. Oie, que bom que gostou.
      Tem um troço com o número 7 sim, no livro todo hahaha, mas não foi intencional, algo do meu inconsciente eu acho…. Só percebi agora, quase no finalzinho 🙂

      Curtido por 1 pessoa

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