Tudo sobre o sexo frágil

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Esse post será feito de histórias, mitológicas e reais, vou começar pelas mitológicas que são aquelas que perpassam a cultura, que correm nas veias do discurso diário da cultura ocidental, elas estão por trás de tudo que dizemos, fazemos, assistimos, escutamos vivemos…

Com essas histórias quero convidar todos vocês a refletirem sobre o sexo frágil, sobre o porquê há uma necessidade de que o sexo frágil exista (culturalmente falando). Para efeitos de reflexão e de conseguir fazer existir essa ideia na qual quero que pensemos  terei que comparar sempre o feminino e o masculino, embora seja desagradável, será necessário.

Não compararei homem e mulher, isso é diferente, comparo feminino e masculino com entidades presentes em homens e mulheres, embora saibamos que é esperado de todos que uma mulher seja feminina e um homem seja masculino.

Pois bem… primeiro deixa eu explicar quem é o sexo frágil e porque ele é necessário, depois vamos aos mitos.

O sexo frágil não é o feminino (obviamente)

O masculino foi chamado de “sexo forte” puramente por força física, fez muita coisa pela sociedade pré-histórica “no braço”, perpetuou seu poder invadindo todas as cenas públicas de pensamento e decisão e construindo a mulher da forma que lhe ficasse mais conveniente.  Educando as mulheres para educar outras mulheres e acreditarem que a fragilidade era da sua natureza, também a incapacidade de tomar decisões racionais.

Dessa forma, criou-se um ciclo de poder e exclusão do feminino, de forma que na sociedade atual o poder está nas mãos de homens velhos e frágeis que não possuem força física e são cuidados por mulheres em suas vidas privadas.

Mas um “sexo forte” em uma sociedade assim sem bichos para caçar e matar, ficava meio a ver navios e precisava de outras formas de se mostrar poderoso, não foram exatamente criativos nisso, mas tem dado certo.

Marcar a mulher como sexo frágil foi muito importante historicamente para essa empreitada. Dizerem-se protetores das mulheres ou responsáveis por elas, sempre fez parte das medidas tomadas para proteger a masculinidade, provar seu valor constantemente e manter esse status.

E a mulher foi protegida historicamente, com a mesma cortesia com que protegemos os prisioneiros, trancados na sela onde pagam pelos seus crimes protegidos do ódio da sociedade, mas é claro que as vezes é preciso matá-los.

O feminino não precisa de proteção, afinal seria impossível protegê-lo. Os homens (masculinos) são presença maior em todas as cenas de poder, estão bem a vontade no mundo que construíram, enquanto diziam às mulheres que as estavam protegendo, as trancavam e usavam como moeda de troca.

As mulheres não teriam como se proteger sozinhas, afinal não possuem o poder para isso, mas sempre usaram de várias estratégias inteligentíssimas para sobreviver ao longo das gerações. E os homens não poderiam protegê-las, pois na maioria do tempo estavam lutando as guerras que inventaram, se matando entre si para se sentirem poderosos, nesse meio tempo também matando e estuprando mulheres para também se sentirem poderosos.

O sexo frágil por tanto, é aquele que precisa se proteger a todo momento, provar sua força a todo momento, o que abre mão de viver experiências para não perder sua credibilidade, o sexo frágil masculino caiu na própria armadilha, quando inventou para si o mito de que era todo poderoso, pois é bem difícil ser rei sem coroa.

Na bíblia

Existia um ditador, chefe de exército que queria conquistar uma cidade chamada Tebas, ele e seu exército cercaram a cidade, se forma que as pessoas ficassem sem comida e se rendessem. A cidade possuía uma torre bem alta. Uma mulher, do alto da torre jogou uma pedra e esta acertou a cabeça de Abimeleque, que ficou bastante ferido. Ele rapidamente pediu a um de seus soldados que o matasse, pois tinha medo de morrer daquele ferimento:

_ Rápido moleque, tire a sua espada e me mate. Não quero que digam que fui morto por uma mulher.

Juízes 9:50-57

Talvez ele tivesse alguma chance de ter sobrevivido, mas não poderia arriscar morrer daquele ferimento, causado por uma mulher. Sua masculinidade precisava ser defendida a qualquer custo e ele deu sua vida para protegê-la, o que não funcionou, ficou mal falado do mesmo jeito.

Os gregos e o Oikos

Os gregos tinham muito medo das mulheres, era terrível para eles, não podiam se desfazer permanentemente delas, pois quem geraria os filhos? Mas eram constantemente atormentados pelo medo de que as mulheres saíssem de casa, ou fizessem qualquer coisa na cena pública.

Só era permitido que saíssem de casa em casos de extrema necessidade, quando o marido era pobre e precisava da ajuda da esposa para o sustento da família. Um exemplo típico era o da mulher do pescador, que vendia o peixe que o marido pescava.

Então a mulher era limitada ao Oikos, que era a esfera doméstica, o ambiente familiar, destinado as mulheres, crianças, escravos e animais. Uma mulher fazendo qualquer coisa fora disso era abominável.

O feminicídio

Até onde o ser humano vai para proteger o que têm de mais frágil. Acho que a última consequência é o feminicídio, que infelizmente é epidêmico e na maioria das vezes, impune.

O Brasil é o 7º país do mundo que mais mata mulheres, mas não dá exatamente um lugar particular para o feminicídio, que é tratado como um crime qualquer, constantemente romantizado, onde é dito que o rapaz estava apaixonado e se desesperou, coisas do amor…

Quando a história chega a esse ponto, o amor já voou do pedaço há muito tempo, pois alguém que te pertence e que não pode ir embora, é nada mais que um propriedade, uma coisa. E as mulheres são constantemente tratadas pelo homens como essa coisa, que não pode ir embora e deixá-lo humilhado, fragilizado, exposto.

Para se proteger, é preferível morrer, é preferível matar.

Para se despedir, para sair dos relacionamentos, para seguir em frente, é preciso força, maturidade e todas essas atribuições, são atribuições do enfrentamento, do crescimento como ser humano, do aceitar perder e do aprendizado que podemos ter, com nossas derrotas. Então, não são coisas para o sexo frágil.

Pressão social sobre o masculino

Convenhamos que fica muito difícil estar a altura do estereótipo do masculino e suas atribuições. A pressão social para estar a altura do masculino não ajuda os homens e só faz piorar as coisas.

A virilidade, o domínio, a violência, a falta de diálogo, o endurecimento dos sentimentos e das demonstrações de sentimento, apenas contribuem para a manutenção dessa  fragilidade que precisa constantemente se provar e se proteger, humilhar o outro sexo para se sobressair.

Se a roda continuar girando nesse sentindo, não podemos ter muitas esperanças. Cabe a todos, estejam em corpos de homens ou mulheres, questionar sua própria formação como ser humano e encontrar formas de transcender essa forma, através da qual a cultura nos molda.

Quero finalizar com esse Ensaio que retrata a fragilidade masculina para quebrar tabus.

E esse vídeo, da YouTuber Maira Medeiros, que traz exemplos claros de como essa situação é grave.

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