Fast Fashion x Slow Fashion! Tudo que você precisa saber sobre elas.

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Moda é um jeito de viver, move carreiras, paixões, ideias, trabalho duro, plantações e também pobreza e morte mundo a fora. Promete um nível de felicidade, uma forma de ser amado e é divertida!

Fast Fashion já está aí há algum tempo, cresceu junto com a indústria e as demandas do capitalismo. Não se sabe exatamente de onde o produto vem, a certeza é de que é barato e logo vai sair de “moda”.

Sobre esse segmento a história é longa e também as consequências, que eu trouxe aqui, resumidamente.

 

Já a Slow Fashion está chegando agora, vem para atender a uma demanda diferente, um público que não quer comprar tantos produtos, mas que está disposto a gastar um pouco mais e ter um produto que vai durar mais tempo.

Vamos tentar entender como as duas funcionam e como afetam trabalhadores e consumidores pelo mundo.

O que é Fast Fashion?

A Fast Fashion é uma moda rápida, ela não é feita pra durar, tanto no que se refere à manufaturação em si, quanto ao design. Os cortes são complicados, pensamos que são criativos e diferentes, mas as vezes você leva muitas peças pra casa e descobre que elas não combinam entre si e não combinam com o que você já tem.

Os tecidos e as estampas são de baixa qualidade, de modo que logo logo desbotam e não será mais possível usar, você terá que voltar a comprar.

A Fast Fashion Hoje conta com cerca de 52 estações ao ano. O que isso quer dizer?

Bem, sabemos que há 4 estações no ano e em duas delas, Verão e Inverno, há necessidade de mudar um pouco as roupas que vestimos. Isso para aqueles que vivem em lugares que realmente há essa mudança de clima. Aqui no centro-oeste por exemplo, não temos mudança de temperatura, para nós é sempre verão. Então só mudamos o guarda-roupa porque queremos mudar!

Quanto a estação para bolsas e acessórios, é um conceito inventado pela indústria, baseado em tabela de cores e design. Com a troca de cores, materiais e modelos, eles criam bolsas de inverno, verão, outono e primavera. Mas nós bem sabemos que uma bolsa de cor sóbria e material de qualidade pode sim, ser usada o ano todo.

Apesar disso, as lojas de Fast Fashion trocam suas coleções cerca de 52 vezes ao ano. Não percebemos isso porque os catálogos não são lançados 52 vezes, nem as campanhas de TV e outras mídias. Essas grandes coleções são feitas de duas a quatro vezes ao ano, dependendo da loja.

Mas, dentro da loja em si, os produtos entram todos os dias e as coleções entram cerca de 4 vezes ao mês.

A ideia central da Fast Fashion é criar peças baseadas no trabalho de grandes designers, só que em baixo custo e menor qualidade, gerando atração, interesse e rotatividade de produtos. Da forma que é feita, o consumidor de Fast Fashion nunca está satisfeito e sempre voltará para comprar mais.

Exemplos de Fast Fashion mais famosas: H&M (US), Forever 21 (US), Riachuelo (BR).

O que é Slow Fashion?

Essa seria a moda devagar, ou seja, aquela que é produzida por pequenos empreendedores, que visam entregar mais exclusividade e qualidade. A Slow Fashion possui no máximo duas coleções ao ano. Traz um conceito de consumo consciente e sustentabilidade.

Geralmente são empreendedores que realizam o sonho do próprio negócio, trazem ideias diferenciadas, preocupação com o meio ambiente e a satisfação do comprador. Atende um público interessado em uma compra que vai durar o ano todo e não se importam em gastar um pouco mais!

A modelagem é mais clássica e atemporal, tanto nas roupas, quanto nos acessórios. O corte é simples e elegante. A ideia é que o consumidor possa usar por muito tempo sem se sentir fora de moda.

Você pode conferir esse vídeo e conhecer 8 marcas Slow Fashion que estão bombando:

https://www.youtube.com/watch?v=BJ5bLS_xafg&t=193s

E não posso deixar de mencionar as irmãs curitibanas da Orna, que criaram uma marca de bolsas Slow Fashion, que tem apenas uma coleção por ano. Depois expandiram para uma marca de maquiagem no mesmo conceito. Vale a pena dar uma olhada, nem que seja por pura inspiração!

Como a Fast Fashion afeta a vida de milhões de pessoas mundo a fora!

Para manter a produção em massa e o preço baixo, é preciso baixar o custo do manufaturamento e para isso, as grandes Fast Fashion montam suas fábricas em países de terceiro mundo.

A H&M por exemplo, fabrica seus produtos em Bangladesh. Algumas outras Fast Fashion americanas também mandam o manufaturamento para a Índia, Bangladesh, China e Camboja. O salário nestas fábricas está abaixo de 3 dólares a hora e cerca de 85% dos empregados, são mulheres.

Em 24 de abril de 2013, o edifício Rana Plaza, que abrigava cerca de 5 fábricas, veio abaixo. O edifício havia sido construído ilegalmente e as autoridades já haviam pedido a evacuação. Mas no desespero para cumprir a demanda, os responsáveis se recusaram a cumprir as normas de segurança e não evacuaram. Cerca de 1.100 trabalhadores morreram e a maioria das famílias não foi indenizada até hoje.

Confira uma matéria completa no assunto Aqui.

Em 2016, cerca de 25 pessoas morreram e outras dezenas ficaram feridas em um incêndio causado pela explosão de uma caldeira em uma fábrica têxtil em Tongi, uma cidade que fica a cerca de 25 km ao norte de Daca, capital de Bangladesh. Confira.

As fábricas ameaçam o governo desses países – caso aumentem o salário mínimo – elas irão procurar um país mais barato para montarem suas fábricas. O governo não quer perder a fonte de renda e empregos, então não aumenta o salário. As fábricas por sua vez, não cumprem com as normas de segurança para poupar dinheiro e tempo.

Em Bangladesh é comum queixa das funcionárias por serem espancadas caso se recusem a trabalhar mais horas ou estejam lentas no trabalho.

No Camboja não é diferente, alguns anos atrás, milhares de pessoas ficaram feridas em uma manifestação pelo aumento do salário mínimo, que era de 62 dólares mensais desde 2012. Depois da repercussão da violência policial contra a manifestação e de pressão por parte da ONU, eles receberam um aumento e o salário passou a 128 dólares em 2015.

A OIT (Organização Mundial do Trabalho) implorou às marcas que não retirassem os serviços do Camboja e incentivassem o governo cambojano a tratar melhor seus trabalhadores.

Exemplos de marcas que fabricam dessa forma: Mango, Benetton, Primark, Levi’s, Forever 21, Zara e etc.

Fast Fashion no Brasil

A Riachuelo é hoje nossa maior Fast Fashion, adotou o conceito há 5 anos atrás. Todos os dias, mil novos modelos estão entrando nas lojas.

A fábrica da Riachuelo em Natal-RN, emprega cerca de  23 mil trabalhadores, produzindo cerca de 300 mil peças por dia. Felizmente essa fábrica parece atender a legislação trabalhista e está tudo certo!

A Forever 21 acaba de chegar ao Brasil. Quando inaugurada em SP, a fila na porta foi inacreditável! Mas a marca não consegue manter os preços baixos por aqui, sai perdendo para Riachuelo, C&A e Renner.

Lá na terra natal, a Forever 21 enfrenta e sempre enfrentou polêmicas. Recentemente, um processo por trabalho escravo dentro mesmo do país, é acusada de ter gente trabalhando em porões na cidade de Los Angeles.

Já a C&A, foi condenada em 2014, pelo Tribunal Superior de Justiça, a pagar mais 100 mil reais de indenização a seus funcionários, por ter reduzido a condição de trabalho ao nível de trabalho escravo. E atualmente, diz ter mudado totalmente seu modelo de negócios.

É claro, que nossa Fast Fashion está longe de ser como a Americana, nelas não é possível, ainda, comprar uma calça jeans por $15, o que é possível nos EUA. Então com isso sabemos que estamos um pouco melhores.

Um documentário no netflix sobre Fast Fashion

“The True Cost” (O verdadeiro custo) é um documentário do diretor americano Andrew Morgan, que foi lançado em 2015 e está no Netflix.

O documentário vai a fundo na sujeira da indústria, percorre Bangladesh, conversando com vítimas impactadas pelo acidente do Rana Plaza, mostrando as fábricas de couro no país. Vai até a China, Camboja e Índia.

Mostra como as marcas americanas se esquivam do assunto e se justificam dizendo que os trabalhadores recebem salário mínimo e isso é o suficiente.

Vai até as plantações de algodão dos EUA, mostrando a realidade do cultivo para conseguir cumprir a demanda da indústria têxtil. O uso massivo de agrotóxicos e as mortes prematuras de trabalhadores da lavoura que adquirem câncer.

Mostra também a realidade da produção de BT cotton na Índia (algodão modificado geneticamente), como os fazendeiros se endividam para conseguir produzir o produto com todas as suas particularidades. Mas infelizmente a maioria não consegue e acaba perdendo suas terras. 1 fazendeiro se mata a cada 30 minutos na Índia.

Se você quer realmente entender o que se passa por trás das roupas que usamos, assista esse documentário!

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